A Tradição do São Martinho e do Vinho

A Tradição do São Martinho e do Vinho

 

Celebrado anualmente e por todo o país a 11 de Novembro, o São Martinho marca a chegada do Outono. Por esta altura do calendário os dias ficam mais curtos, o tempo chuvoso mostra que veio para ficar e as folhas caídas das árvores pintam um tapete castanho amarelado pelos passeios. Mas no ar sente-se o cheiro inconfundível das castanhas assadas, e então sabemos que o São Martinho está à porta.

Mas as castanhas não são o único ingrediente e símbolo do São Martinho, pois nesta época especial celebra-se o fim dos trabalhos agrícolas, das colheitas e, como não podia deixar de ser, das vindimas.

Desde tempos longínquos que o dia de São Martinho está historicamente associado à abertura e prova do vinho novo, é por isso que muitos dos ditados populares que conhecemos incluem a palavra “vinho”, como é o caso de “No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho” ou “No dia de São Martinho, castanhas, pão e vinho”. Vinho este que foi feito semanas antes, nos finais de Setembro, inícios de Outubro, produzido com a colheita do Verão que passou.

“Pelo São Martinho, todo o mosto é bom vinho” é outro dos provérbios que ilustra bem o porquê desta tradição do vinho pela altura do São Martinho, dando conta do seu processo de produção, desde a colheita das uvas, passando pela fermentação, até chegar a nós. O vinho novo é pois o mosto que esteve a fermentar durante vários dias nos barris.

O vinho novo ainda pleno de acidez é por vezes substituído pela também tradicional água-pé, feita através de água lançada sobre o bagaço da uva, de onde se retira o pouco mosto que aí se mantinha.

A lenda original do São Martinho conta que Martinho de Tours, em plena tempestade, rasga a sua capa em duas e dá uma das partes a um mendigo e que essa boa acção é recompensada pela melhoria do tempo, fenómeno conhecido como o Verão de São Martinho. Mas muito mais do que uma lenda ou do que um fenómeno natural, o São Martinho é a celebração do fim da vindima e uma homenagem a todos os que nela trabalharam, sendo portanto o padroeiro dos produtores de vinhos.

Talvez por isso o conceituado etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira tenha dito que o São Martinho “(...) é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas”.

Na região Tejo o S. Martinho é alvo de uma comemoração muito especial, sobretudo na Golegã. A Feira da Golegã que data de meados do século XVIII, foi denominada até 1972 Feira de S. Martinho, data a partir da qual passou a denominar-se Feira Nacional do Cavalo.

A Feira Nacional do Cavalo a mais importante e mais típica de todas as feiras que no seu género se realizam em Portugal. Criadores de cavalos apresentam aí os seus animais, mas o evento é sobretudo uma festa popular cheia de tradições. Muitos dos produtores de vinho da região Tejo são também criadores de cavalos e por isso marcam a sua presença neste evento.

Sendo esta é uma época de comemoração multiplicam-se os eventos também nas próprias adegas.

A Quinta do Casal Branco é disso um exemplo, realiza anualmente uma festa a que chama “S. Martinho na Lezíria” que no fundo é um momento de confraternização onde se junta o vinho, as castanhas e o Cavalo Lusitano.